"Esse vendaval, ele vai passar e vamos voltar para o mundo real"
Em entrevista exclusiva à Rádio Cidade poucos minutos após o resultado final da eleição deste segundo turno, o governador do estado de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira (MDB), confirmou que as tratativas para a transição com o grupo do eleito do Comandante Moisés (PSL) iniciam já nesta segunda-feira (29). Uma sala para que as equipes troquem as primeiras informações já foi montada na Casa d’Agronômica, a sede do governo do estado em Florianópolis.
O espaço foi preparada já durante os últimos dias, menos ainda não se tendo a confirmação de quem seria o eleito. A intenção, segundo o atual governador, é possibilitar que o próximo grupo inicie em janeiro com conhecimento de toda a estrutura e a par das ações em andamento.
“Estarei à disposição dele (Moisés) para encaminhar as questões que julgar serem importantes: informações, acesso a documentos e tudo o que for necessário para que o Comandante Moisés possa, rapidamente, em dois meses preparar seu novo governo”, destacou Moreira.
Na visão dele, a eleição do então candidato do PSL para comandar o estado é fruto de um sentimento de mudança que tomou conta do país. Isso, aliado ao efeito provocado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, e aos escândalos de corrupção fizeram com que a população decidisse afastar muitos políticos, mesmo aqueles que não tinham ou não tiveram envolvimento em ilicitudes.
“Houve essa generalização. Não há varinha de condão. É necessário que a gente volte para o mundo real e prepare Santa Catarina para um futuro que, espero, seja muito melhor do que aquele que vivemos até agora”.
O futuro do MDB catarinense é de trabalhar para tentar retornar ao poder como protagonista. Ele lembra situações e períodos em que a legenda foi derrotada, como na eleição de 1998, mas retornou quatro anos depois liderados por Luiz Henrique da Silveira, permanecendo até este ano no primeiro escalão do governo.
Em outras palavras, o governador disse que o que Santa Catarina está vivendo com a eleição de um nome novo e a saída de cena, por ora, de políticos tradicionais, é fruto do momento.
“Esse vendaval, esse febrão, ele vai passar e vamos voltar para o mundo real. Não há varinha de condão. Não há mágica. As dificuldades continuarão e não deixarão de existir no dia 31 de dezembro, e será tudo transparente e bonito no dia 1º de janeiro”, ponderou, frisando que 2019 será um ano de dificuldades para o estado.
Moreira também elogiou a promessa do novo governador de reduzir o tamanho da estrutura do governo do estado. Isso, em sua visão, será essencial para equilibrar contas e fazer a máquina funcionar adequadamente.
Questionado sobre se tem mágoas sobre a forma como a condução da campanha eleitoral e o envolvimento do MDB neste pleito foi feita, o governador não deixou por menos as críticas à falta de pulso firme do ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e o candidato derrotado Gelson Merísio (PSD). Sem citar nomes, chamou um de lento e outro de esperto na condução do processo.
“O Raimundo Colombo pagou o preço alto pela falta de comando. Ele era o govenador, nós o elegemos duas vezes. O MDB votou nele maciçamente e ele ganhou no primeiro turno por duas vezes, em 2010 e 2014. E ele deixou o comado político do governo para o Merísio. Ele foi ultrapassado e a conta chegou”, disse.
Pinho Moreira lembrou que Colombo conseguiu, com isso, o feito inédito de ter sido o primeiro ex-governador a não conseguir chegar ao Senado Federal depois de dois mandatos.
“Fui deputado federal por duas vezes com Ulysses Guimarães, que, indiscutivelmente, era um grande homem com vocação para a causa pública. Há 30 anos ele já dizia: ou mudamos ou seremos mudados. Demorou 30 anos, mas o vendaval da mudança chegou com tudo agora”, frisou.
Ainda na entrevista, Moreira disse que Jair Bolsonaro tem tudo para ser um presidente a entrar para a história. Os dois conviveram no Congresso na década de 90, quando o presidente eleito iniciou o primeiro dos seis mandatos na Câmara Federal.
“Ele amadureceu muito. É um homem que tem sabedoria o suficiente para governar o Brasil. Ele não é uma pessoa que precisa saber tudo. Ele precisa é sabe escolher bem seus assessores, sua equipe”, finalizou.
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