"O acerto foi para dar viabilidade ao governo, não para que nada fosse questionado"
Prestes a encerrar o mandato com presidente da Câmara Municipal de Brusque, o vereador Guilherme Marchewsky (PMDB) já fala como pré-candidato a prefeito nas eleições de 2016. Enfático a linha dura contra o governo Paulo Eccel, ele aponta sua postura de adotar a linha independente como “prova” à população de que não vota por acordo, conchavo ou pressão, conforme procura deixar claro nas palavras quando o assunto é sua atuação legislativa.
E foi assim que ele fez, na tarde desta quinta-feira (27), uma espécie de prestação e contas à imprensa dos dois anos em que ocupou a cadeira de presidente da Casa. Uma amostra de que suas pretensões são claras a partir de agora. Principalmente quando se fala na ruptura que teve com o governo no início do ano.
“Penso que o parlamentar não pode abrir mão de seu voto no parlamento por cargos, por conchavos, por acertos. O acerto que fiz na época foi para ocupar a presidência e dar viabilidade ao governo Paulo Eccel e não acerto para que fosse feito de forma light, onde nada fosse questionado”, disparou.
A postura ele tenta justificar no que considera não cumprimento de acordo. Da parte do governo. “Na eleição de 2012 foi feito acordo para que o PMDB ocupasse a presidência e 40 cargos comissionados no Executivo. O partido ocupa apenas 28 atualmente. Em fevereiro deste ano houve alguns desacertos. Nessa posição, houve um desmanche daquela situação. Dentro do PMDB coloquei minha posição como parlamentar”, frisa ele, destacando que seu nome já está à disposição para ser alçado candidato, caso o partido entenda, em 2016 para o Executivo.
CUSTOS DA CÂMARA
Em dois anos de mandato como presidente do Legislativo, Marchewsky diz que procurou focar na estruturação da Casa para que os vereadores pudessem trabalhar. ações que vão desde a aquisição de equipamentos, como computadores e celulares, até a contratação de novos servidores via concurso público.
Mas ele procura destacar a questão orçamentária e a devolução de valores ao Executivo, gastando menos do que a própria Câmara poderia. Com direito por lei de dispor de 6% do orçamento geral do município, o Legislativo poderia, somente em 2014, ter em caixa R$ R$ 7.642.500,00 milhões. Porém, de acordo com Marchewsky, obteve pouco mais de R$ 4 milhões e gastou, efetivamente, R$ 3.696.000,00. Há em caixa, ainda segundo ele, cerca de R$ 2 milhões que poderiam ser usados.
“Esses R$ 2 milhes não serão usados pelo Legislativo. Vamos devolver próximo de R$ 1 milhão, que está na conta da Câmara e será devolvido para que o Executivo possa usar esse recurso da maneira que entender e achar melhor”, pontua.
MÍDIA, COMPUTADORES E CELULARES
Outros dois pontos destacados como ações de sua gestão à frente da presidência da Câmara estão voltados à divulgação do trabalho do Legislativo e a disponibilização de celulares computadores notebooks aos vereadores.
Sobre o primeiro, a intenção era fazer com que a Câmara chegasse mais perto da população, fria o ainda presidente. Para isso, investimentos em mídia institucional nos veículos de comunicação, elaboração de meios como site (com transmissões das sessões e acesso facilitado do leitor), além de um jornal periódico e a procura de melhora na relação com a imprensa.
Mas o assunto que procurou detalhar mais foi quanto aos celulares disponibilizados aos vereadores. Com exceção de Felipe Beloto (PT), que abriu mão de ter aparelho custeado pela Casa, todos os demais possuem celulares do Legislativo. Para Marchewsky, a medida, juntamente com a disponibilização e notebooks a cada vereador, buscou suprir a extinção dos cargos de assessores parlamentares.
“Todo cidadão que liga pra Câmara e diz que precisa falar com um vereador passamos o número dele. Esse telefone foi ate questionado pela imprensa sobre o porque desse telefone. Eu diria que é o assessor do vereador. Onde ele está pode ligar e ser contatado”.
Apesar do grande número de aparelhos, o presidente da Câmara afirma que o custo total das faturas não ultrapassa R$ 2 mil mensais e a média, por vereador, tem sido de R$ 100.
CONCURSO PÚBLICO
A contratação de novos servidores foi outro assunto destacado por ele. Questioada sobre o porque de haver mais comissionados que efetivos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Câmara realizou este ano o processo para suprir algumas vagas.
“Respondendo o TCE, passamos a fazer o concurso, após o estudo feito para que ele pudesse sair da melhor maneira. Daqui uns anos, pelo menos cinco funcionários deverão deixar a Câmara e queremos deixar esse legado”, explica.