′Minha exoneração foi porque não fui a favor de um ato de corrupção′
OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA NO ÁUDIO
O agora ex-procurador da Prefeitura de Brusque, Mario Wilson da Cruz Mesquita, falou esta tarde à Rádio Cidade sobre sua exoneração do cargo, confirmada em publicação no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (3). Ele soltou o verbo e fez acusações contra o genro do prefeito Jonas Oscar Paegle, Denísio do Nascimento, além de três servidores da secretaria da Fazenda por exigir e pressionar pelo parecer favorável a uma compra que somente poderia ser feita através de licitação.
“A minha exoneração foi porque eu não fui a favor de uma ilegalidade, de um ato de corrupção. Certamente se tivesse cometido a mando deles um ato de corrupção, uma ilegalidade e uma imoralidades, eles teriam, razão”, frisou ele.
Mesquita afirmou que na semana passada chegou até seu gabinete uma documentação para dispensar licitação para a contratação de uma empresa, o Instituo Aquila, que atua na área de consultoria em sistemas de gestão e tem sede em Minas Gerais. Os documentos foram entregues por dois servidores da Secretaria da Fazenda, a mando de Denisio.
“Eu fui procurado pelo diretor-geral da Fazenda, senhor Willian Molina, e pela servidora do setor de compras, a senhoras Cristiane dos Santos das Silva, exigindo que eu fizesse o parecer pela dispensa da licitação e que esse parecer deveria ser pela ilegibilidade, uma vez que ela já estava prestando serviço lá dentro”, disse ele.
O ex procurador afirma que o Instituto Aquila já vem atuando dentro da Prefeitura desde o início do ano, quando o atual governo assumiu o Executivo, trazida pelo genro do prefeito. Inclusive, funcionários do mesmos teriam ido a diversos setores em busca de informações sobre empresas que são as maiores devedoras do município. Como elas são sigilosas, o pedido destes dados teria sido negado por ele e pela equipe da Procuradoria. Porém, uma servidora, a qual ele não quis citar o nome, entregou tais documentos dos setores de compras, licitações, contabilidade, tributação, RH e da própria Procuradoria.
A CONTRATAÇÃO DA AQUILA
O objetivo da contratação do Instituto Aquila seria para que a Prefeitura adquirisse um sistema de gerenciamento para modernizar a administração pública. O sistema custa R$ 1.176.000,00 milhão e teria por missão alcançar o equilíbrio fiscal, elaborar e implantar um planejamento estratégico, fazer a reforma administrativa e fazer a formação e motivação dos servidores municipais.
Ao saber do tipo de negociação, Mesquita teria solicitado ao diretor da Fazenda mais detalhes sobre a compra do sistema. Porém, segundo o ex procurador, as informações não condiziam com a realidade.
Mario Mesquita disse que solicitou investigação e encaminhamento do caso ao Ministério Público. Inclusive porque estariam ocorrendo outros atos de corrupção dentro da Prefeitura, através de intervenções na Procuradora, os quais ele não quis mencionar mais detalhes.
“Foi por determinação o genro que, infelizmente, tem estado gerenciando administrando a Prefeitura, o senhor Denisio do Nascimento”, finalizou ele.