Governistas reforçam fim da UPA 24 Horas
A decisão do governo provisório de Brusque de não dar continuidade à instalação da Unidade de Pronto Atendimento 24 horas no Bairro Santa Terezinha teve seus desdobramentos entre os vereadores da cidade. Na sessão ordinária realizada nesta segunda-feira (22), este foi um dos principais assuntos no já típico embate entre governo e oposição.
Para a bancada situacionista, a decisão de interromper o processo de estruturação da UPA, ou PA 24 horas, foi acertada. O motivo é que a manutenção do espaço depois de concluído, com o atendimento ao público em andamento, ficaria inviável para os cofres do município. “O custo para colocar mais quatro médicos chegaria a R$ 400 ou R$ 500 mil. Qual seria mais barato: colocar mais dois médicos no Dom Joaquim e Azambuja ou quatro médicos para dizer que tem uma UPA?”, questionou o líder do governo, Alessandro Simas.
Não foi ele quem puxou o assunto na sessão, mas apresentou números que, nos argumentos do governo, embasam a decisão de não dar continuidade ao projeto iniciado na gestão anterior e opositor de Paulo Eccel. De acordo com os números apresentados por Simas, a obra da UPA 24 horas iniciou em 2010 e ficou paralisada por algum tempo, sendo que a data prevista para entrega seria agosto de 2015. O custo total estava orçado em R$ 2.933.339,20 milhões. Isso com dados do primeiro mês.
Mas o custeio do local colocaria em risco as finanças do município, alegaram Simas e a bancada governista: R$ 1,1 milhão por mês. No entanto, o repasse federal, já que se trata de uma obra de programa da União, seria de R$ 175 mil mensais. Quando passasse para nível qualificado, quando dispõe de vários especialistas, entre eles pediatras, passa a recebe R$ 300 mil.
“Da maneira como vem sendo anunciada essa questão da UPA, temos que estudar melhor. Porque temos dois hospitais que precisam de recursos e eles ja têm todo aparato possível para atender bem o paciente”, comenta o peemedebista Guilherme Marchewsky, um dos opositores à implantação da UPA.
Se o argumento do governo para não abrir as portas da unidade é a indisponibilidade financeira, quem esteve do outro lado até pouco tempo contesta. Os recursos estavam já definidos no orçamento, alega a oposição. Que contesta, também, o montante mencionado pelos governistas para manter a unidade. “Esses números não reconhecemos. Eles precisam ser debatidos para que os reais motivos que levam o governo interino a devolver esse recurso para a União venham à tona”, frisou Felipe Beloto (PT), líder da bancada oposicionista.
Contestação reforçada pela também petista Marli Leandro. Ela afirma que a construção, abertura e funcionamento da UPA iria reforçar o atendimento a quem não tem condições de arcar com o serviço privado de “Esse dado, de R$ 1,4 milhão, para manter, queremos saber de onde vem. A administração passada também estava fazendo esse levantamento de quanto seria para a abertura da UPA e isto está muito aquém”, disse ela.
Outro argumento da base governista é de que a Unidade de Pronto Atendimento tem caráter regional. Caso um paciente de qualquer cidade vizinha a Brusque buscasse atendimento, teria de ser acatado.
A UPA 24 horas seria construída no Bairro Santa Terezinha. Na semana passada, durante reunião do Conselho Municipal de Saúde (Comusa), a secretaria municipal da Saúde anunciou a não continuidade da obra.
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