Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico que deve impulsionar exportações ao Brasil
Ao futuro
Após 26 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia já foi assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, encerrando oficialmente uma das mais longas tratativas comerciais da história recente. O tratado cria uma zona de integração econômica que reúne cerca de 720 milhões de consumidores e estabelece as bases para a maior área de livre comércio do mundo.
A assinatura ocorreu no Teatro José Asunción Flores, local simbólico onde, em 1991, nasceu o Mercosul. Estiveram presentes chefes de Estado e representantes dos países-membros dos dois blocos, além da cúpula europeia. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na véspera, de reuniões com lideranças da União Europeia no Rio de Janeiro para alinhar os próximos passos do acordo.
Com a assinatura, o texto passa agora para a fase de aprovação pelos parlamentos, incluindo o Congresso Nacional brasileiro e o Parlamento Europeu. A expectativa do governo brasileiro é de que a ratificação ocorra ainda em 2026, permitindo que a parte comercial do acordo entre em vigor de forma gradual já no segundo semestre. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a internalização do acordo no Brasil deve ser rápida, abrindo caminho para efeitos práticos nos próximos anos.
Impactos diretos para o Brasil
O acordo prevê a redução progressiva de tarifas para mais de 90% do comércio entre os blocos. Do lado europeu, 95% dos produtos do Mercosul terão tarifas eliminadas em até 12 anos. Já o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Para o Brasil, isso significa acesso ampliado a um mercado de alto poder aquisitivo, com regras mais previsíveis e menos barreiras comerciais.
A indústria brasileira está entre as principais beneficiadas, com tarifa zero desde o início para diversos produtos como máquinas, equipamentos, autopeças, produtos químicos e aeronaves. No setor agropecuário, itens como carne bovina, frango, açúcar, etanol e mel terão cotas de exportação com tarifas reduzidas, que aumentam ao longo do tempo, garantindo espaço no mercado europeu sem choques abruptos.
A ApexBrasil estima que o acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de estimular a diversificação da pauta exportadora, fortalecendo também a indústria nacional e a participação do país em cadeias globais de valor.
Regras ambientais e oportunidades
O tratado inclui compromissos ambientais obrigatórios, impedindo benefícios comerciais a produtos ligados a desmatamento ilegal e prevendo sanções em caso de descumprimento do Acordo de Paris. Há ainda capítulos específicos para pequenas e médias empresas, facilitação de investimentos, acesso a compras públicas europeias e maior segurança jurídica para exportadores brasileiros.
Com o acordo já assinado, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica no comércio internacional, ampliando oportunidades de exportação, atração de investimentos e integração econômica com um dos mercados mais relevantes do mundo.