Operação contra Luciano Hang teria se baseado apenas em reportagem, diz ex-assessor
Citado em Brasília
O empresário brusquense Luciano Hang, dono da Havan, voltou a ser citado em Brasília nesta terça-feira (2). Durante audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado, o ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, declarou que a operação de busca e apreensão realizada contra Hang, em 2022, teria sido determinada sem investigação prévia, com base apenas em uma reportagem jornalística.
Segundo informações do site Congresso em Foco, Tagliaferro relatou que, na época, Moraes teria ordenado a medida contra empresários como Hang, Meyer Nigri e Afrânio Barreira, e somente depois instruído sua equipe a produzir relatórios e mapas mentais com datas retroativas para justificar juridicamente a decisão.
“O fundamento da decisão foi confeccionado dias depois da operação, apenas para justificar o que já havia sido feito. Isso caracteriza uma fraude processual gravíssima”, afirmou o ex-assessor.
A operação contra Hang ocorreu em 23 de agosto de 2022, seis dias após a publicação de uma matéria no portal Metrópoles, que teria servido como base exclusiva para a decisão judicial. Tagliaferro acrescentou que os documentos utilizados posteriormente para embasar a medida apresentariam metadados digitais que comprovam terem sido criados após a busca e apreensão.
Repercussão política
As declarações geraram forte reação de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que defenderam a abertura de uma CPI ou até mesmo um processo de impeachment contra Moraes. O senador Magno Malta (PL-ES) classificou a situação como gravíssima e afirmou que Bolsonaro estaria sendo perseguido e “massacrado”.
Situação de Tagliaferro
Atualmente vivendo na Itália e respondendo a um pedido de extradição, Eduardo Tagliaferro é investigado pela Polícia Federal por violação de sigilo funcional e obstrução de investigações. Ele nega irregularidades e afirma sofrer perseguição política.