Empresa de Minas Gerais compra maquinário da Fábrica Renaux
Uma empresa de Minas Gerais venceu o leilão realizado na tarde de hoje para a venda do maquinário da Fábrica de Tecidos Renaux. O tipo de negociação estabelecido foi o de carta fechada, em que os interessados enviam suas propostas em envelopes lacrados. Todos são abertos no mesmo horário e o melhor lance é o vencedor, sem chance para contraproposta. O prazo de envio foi dia 27 e os envelopes foram abertos por volta das 14h de hoje (28). A empresa mineira ficou com o maquinário por pouco mais de R$ 2,5 milhões.
Segundo o presidente do Sintrafite, Aníbal Boetger, foram enviadas seis propostas. Não foi possível saber de onde são as empresas nem se tinha alguma de Brusque, já que geralmente os nomes fantasia são diferentes dos usados em documentos oficiais. "Eram todos desconhecidos", aponta.
No leilão, foram vendidos todos os equipamentos que estão dentro da fábrica como máquinas para tecelagem, tinturaria e acabamento. Boetger ressalta que o sindicato não considera que tenha sido feita uma boa venda. "Ainda entendemos que o valor foi muito abaixo do mercado. Poderíamos ter chegado a R$ 5 milhões tranquilo", lamenta.
O dinheiro do leilão será depositado em uma conta em juízo que será administrada pela Vara Comercial. O destino dos valores ficará a cargo da juíza Clarisse Ana Lanzarini. Além das questões trabalhistas, a Fábrica de Tecidos Renaux tem uma extensa lista de credores, incluindo bancos e concessionárias de serviços. "Nós esperamos que o dinheiro seja empregado para o pagamento de parte das dívidas trabalhistas", diz Boetger. A Justiça prevê que, em caso de falência, o pagamento aos trabalhadores seja prioridade.
Ainda assim, mesmo que todo o valor seja destinado para os ex-funcionários, não chegará à metade da dívida que, só em causas trabalhistas, se aproxima dos R$ 18 milhões.
Boetger não soube informar quando será divulgada a decisão sobre o dinheiro. O que se sabe é que empresa tem até 120 dias para levar o maquinário comprado. O próximo passo será a venda dos imóveis. Um corretor pediu um prazo de cinco meses para fazer o levantamento de todo o patrimônio para, só então, obter uma avaliação do que ainda pode ser vendido.